Um pouco sobre a minha fé

Muitos tem questionado sobre minha fé. Alguns entendem que eu sou ateu, mas não me considero assim. Ser ateu, pra mim, é uma definição excessivamente assertiva pra mim. Eu tento não mais categorizar as pessoas e seus pensamentos, mas as categorias ou rótulos ajudam a maioria a entender linhas de pensamento de uma forma abstrata.
Atualmente (e isso já tem validade expirada) minha fé segue uma linha entre o Pandeísmo e o Agnosticismo.

Abaixo as afirmações Deístas, que estão muito próximas daquilo que creio.

1- Admito uma existência divina, mas com características distinta de religiões.
2- Corroboro que a "palavra" de Deus são as leis da natureza e do Universo, não os livros ditos "sagrados" escritos por homens em condições duvidosas.
3- Uso apenas a razão para pensar na possibilidade de existência de outras dimensões, não aceitando doutrinas elaboradas por homens.
4- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de alguma religião.
5- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça.
6- Prefiro elaborar meus princípios e meus valores pessoais pelo raciocínio lógico, do que aceitar as imposições escritas em livros ditos "sagrados" ou autoridades religiosas.
7- Sou um livre-pensador individual, cujas convicções não se formaram por força de uma tradição ou a "autoridade" de outros.
8- Acredito que religião e Estado devem ser separados;
9- Prefiro me considerar um ser racional, ao invés de religioso.
10- O raciocínio lógico é o único método do qual podemos ter certeza sobre algo.

Recomendo a leitura inicial dos artigos abaixo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pande%C3%ADsmo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agnosticismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/De%C3%ADsmo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pante%C3%ADsmo

Minha carta aos machos

Nem preciso explicar o motivo de ter usado o termo macho ao invés de homens. Sim, é depreciativo.
Tenho visto e ouvido muitas coisas todos os dias, desde que me entendo por homem. E sim, homem e heterossexual, apesar de ser frequentemente questionado por isso. Não se preocupe, isso não me incomoda, pelo contrário, considero um elogio.
Disseram:
"Eu queria um namorado gay que não fosse gay"
"Antigamente vc via um cara gentil, educado, cheiroso, inteligente e de bom papo e perguntava se ele era casado. Hoje vc pergunta se ele é gay"
"Quando falo pra ele da ex-namorada, ele não lembra quem é"
"Mulher não foi feita pra conversar, mas para comer"
"Atualmente homens não concorrem com outros homens, concorrem com vibradores. (via @fouquet)"
Estas frases, entre outras, referem-se aos homens e a maioria foi falada por alguns que se julgam homens que adoram mulheres, completamente heterossexuais e, como a maioria, pegadores natos.
Em primeiro lugar, estes homens que afirmam gostar de mulheres e pensam como a grande massa masculina brasileira, gostam só de sexo e não de mulheres. Gostar de mulheres indicaria um comportamento apreciativo; conversas, companhia desinteressada, atenção a suas necessidades, apreciação pelos seus interesses, etc. Enfim, tudo o que envolve uma boa amizade. Nessa perspectiva, aqueles que se dizem heteros não gostam de fato de mulheres. E os gays, estes sim gostam e as apreciam. E ainda os admiro pela forma carinhosa e sensível com que lidam com as mulheres. Eles as elogiam, as acompanham, sentam-se ao seu lado para conversar, para dividir suas vidas...
Em segundo lugar, em qualquer relação com uma mulher desde a mais efêmera até alguma que envolva meses de relacionamento, dizer que não se lembra dessa pessoa torna-a tão insignificante e despresível que consequentemente o torna um ser tão presunçoso que merece o mais profundo inferno como habitação eterna da sua alma.
Por último, se você acha que sua masculinidade hetero é provada por atitudes externas, como não usar roupas de cores femininas, ou pelo fato de não demonstrar sensibilidade ou por não ter conhecimento sobre o mundo feminino, eu te digo que não. Sua sexualidade é definida pela sua atração. Se gosta de homens e é atraído por eles, você é gay, mesmo que nunca tenha elogiado o sapato da sua amiga.

Feliz páscoa

É pascoa! O dia mais importante do Cristianismo, ou ao menos deveria ser, mas infelizmente a maioria dos "cristãos" não leva tanto em consideração esta data e prefere celebrar o pagão natal ou o idólatra dia de Nossa Senhora de Aparecida.
Mas a pascoa, ó pascoa, dia em que Jesus Cristo ressussitou dentre os mortos e com isso provou ser superior a morte e a vida, e assim, tendo o poder então pra nos salvar... dele mesmo?! Afinal ele é Ele. Bom... o brinquedinho é do Joãozinho então Ele é que define as regras né?
Mas de onde tiraram a história de que Jesus morreu e depois ressussitou? Da Bíblia claro. Um livro histórico, cheio de histórias confiáveis como a do Sansão... que perdeu as forças quando teve seu cabelo cortado?!?! Ah. Essa é uma meio estranha, mas tem a história de que Deus condenou a humanidade porque uma mulher comeu uma fruta proibida depois de conversar com uma serpente que andava e falava... ?!?!?! Tá... deve ser meio alegórica só. Mas tem uma aventura emocionante do profeta que fez o Sol parar?!?! E o cara que foi numa ?!?!?! carroagem de fogo?!?!?! pro céu? Ou o outro que abriu o mar em duas partes. Ou ainda o homem que foi engolido por um grande peixe (que não é uma baleia) e ficou lá por 3 dias, ou os meninos jogados no fogo que nem chamuscaram o cabelo.
Certo. A Bíblia não me parece muito confiável, mas as outras evidências da existência de Jesus como... o ... aquele...
...
Sim... pra fé nada disso importa. Vamos celebrar pois ressussitou o Senhor. Maranata, ele voltará e destruirá todos os hereges, apóstatas, assassinos, mentirosos, adulteros, homosexuais, e sei lá mais o que (Ap 21:8). E esta será a minha segunda morte.

Inimigos da verdade

Não é segrego que durante aproximadamente 8 anos dediquei minha vida a serviço de Jesus, como um fiel e dedicado evangélico. Tinha meus desejos de uma vida missionária contando ao mundo que eles estavam errados em suas religiões e eu estava certo. Todavia, a vida não é um substantivo, mas um verbo que se aproxima muito da palavra experimentar. Experimentei estar dentro de uma religião, de corpo e alma, vestindo a camisa com tamanho fervor e sinceridade até que este mesmo fervor e sinceridade me levaram para um caminho distante da religião e hoje, me encontro em um lugar que não conheço, onde a única coisa que sei é que, de fato, de nada tenho certeza, inclusive, desta certeza duvido as vezes.
Os lugares por onde tenho andado, decidi andar por minha conta própria e isso não obriga ou envolve qualquer pessoa do meu relacionamento, sobretudo minha esposa. Recentemente ela me comunicou que gostaria de voltar a visitar uma igreja evangélica. Claro que estranhei sua decisão, afinal, aparentemente caminhávamos em sentido oposto a religião. Mas, admiravelmente, seu desejo era muito sincero de ir para a igreja numa nova maturidade e dar a oportunidade para a igreja se mostrar coerente com os designios daquilo que afirma ser a verdade completa, a Biblia Cristã. Seu objetivo é buscar a Deus, mas seu temor é perceber que a igreja ensina exatamente o oposto daquilo que ela entende que Jesus veio ensinar.
Sua decisão em ir a igreja não foi algo tão claro e objetivo no início, mas um desejo confuso, afinal, voltar a igreja poderia significar assinar novamente um compromisso em ser algo que ela não concorda?
Viajando para Atibaia, em um desses finais de semana, conversamos durante a viagem. Ela estava confusa, mas a conversa foi bastante positiva e creio que os dois sentiram-se aliviados. Senti-me ainda, orgulhoso e lisongeado por estar ao lado de uma mulher inteligente e sensata.
O mais incrível foram as descobertas que fiz. Existia uma conspiração por parte da minha mãe e mais algumas pessoas. Primeiramente, é evidente que a minha mãe pouco se importava com a intesão da minha esposa, mas porque ela acredita, como afirmou "vamos ganhar o Tiago pra Jesus". Além disso, as orientações dadas para a Alê, quando fosse me contar sobre tal decisão (que eles entenderam erroneamente como 'voltar a ser crente') era de que ela deveria ter muito cuidado pois o diabo se apoderaria de mim e coisas terríveis poderiam acontecer. Que a igreja inteira estaria orando por isso. Disseram que eu poderia proibí-la de ir a igreja, ou ainda, poderia agredi-la ou coisa pior. Obviamente, a conversa foi completamente diferente. Não houve nenhum desentendimento, mas uma conversa prazeirosa, de novos desafios e novos aprendizados, para ambos e que eu não gostaria de interferir em seu laboratório, mas que teria o prazer de acompanha-la algumas vezes.
De certo que o mérito da minha reação não foi meu por eu ser uma pessoa sensata e equilibrada, mas foi a minha mãe e a igreja que oraram por isso e a Deus que me controlou. Haha...
Percebi então duas coisas. A primeira é que de fato as pessoas acreditam na intervensão de Deus e do Diabo em todas as coisas. A expressão "dedo de Deus ou os chifres do Diabo" são uma certeza que muitos deles tem. Isso pode parecer um pouco inocente, mas essa é uma das grandes desculpas usadas para se explicar aquilo que não se entende e, sobretudo, explicar os próprios fracassos (materiais, emocionais e psicológicos) e livrar-se do sentimento de culpa. Estranho pois, quando eu estava do lado deles, o que ouvíamos era que aqueles que se afastavam da religião o faziam para livrar-se da culpa do pecado.
A segunda constatação foi que as pessoas não me conhecem e tampouco interessam-se em entender-me. Por que? Porque elas tem certeza de que tudo o que acontece comigo, meus pensamentos e atitudes são ação do Diabo e dos seus demônios. E sabe porque um evangélico não pode ser contra-evangelizado? Porque ele tem certezas. Convicções doutrinárias como o Pr. Mendes costumavam repetir. Ter certezas significa não ter mais a possibilidade de aprender. Significa que aquelas questões estão encerradas, que as lacunas estão preenchidas. E se você é um crente e leu até aqui, saiba que se não fossem as dúvidas sobre a validade dos valores prestabelecidos, Martinho Lutero não teria iniciado um movimento de reforma. Portanto a certeza é a negação daquilo que você mesmo segue.
"O maior inimigo da Verdade não é a mentira, mas a certeza".

Da punção de morte: O amor

Este texto baseia-se num questionamento sobre possessão, por Susi, neste link.

Parece um paradoxo afirmar que um sentimento tão buscado, sempre associado a felicidade, o qual a maior parte das músicas entoam desde sempre, seja relacionado a morte. Mas o que de fato é o amor? E a morte?
Em nossa cultura, o amor é um sentimento mal definido, usado para descrever um sentimento de 'gostar muito' e 'querer muito'. Ele é aplicado a atração que se tem por objetos e pessoas, neste caso, tanto amigos, familiares ou amantes. Nota-se, sem sombra de dúvidas, que usar o mesmo termo para o sentimento em cada uma dessas relações é pobre. A palavra que temos para amor, no grego, se desdobra em pelo menos 3 termos distintos que ajudam a compreender um pouco melhor as nuances que são obscuras e indistinguiveis na nossa cultura e sobretudo no nosso idioma. Os termos seriam éros (que dá origem ao erótico e denota um sentimento de ter para sí algo desejado); filéo (que tem um sentido de amor de amigo, de ter uma profunda admiração. Usado em aglutinações como teófilo - amigo de Deus, filosofia - amigo da sabedoria); ágape (que sintetiza a idéia de altruísmo, de querer tão bem alguém a ponto de dar sem precisar da recíproca. Seria o prazer em fazer o bem àquele a quem ama).
A morte, por sua vez, seria a negação da vida, a não-vida e, definido dessa forma, torna-se mais claro a razão de o amor ser a punção de morte. Mas a não-vida pressupõe compreender o que é vida. Não creio que haja vida mas viver. Não há forma de nomear este verbo, tal qual não pode-se nomear filosofia pois o que é filosofia senão filosofar? Ou ainda, liberdade senão libertar?
As pessoas que amam objetivam exclusividades. Pode-se compreender que seja assim quando alguem ama seu carro, ou seu gadget, mas isso, em relação a pessoas, torna-se violência e morte. O sentimento que define isso chama-se ciúme e diversas pessoas orgulham-se por sentir isso afirmando que quem ama, cuida do que É SEU. Mas definir que alguem seja propriedade sua, é reduzi-lo a um objeto sem vida. É restringir as vontades de alguém em razão das suas próprias. É criar condições, reduzir a liberdade. Mas se a vida é viver e isto significa a experimentação ou degustação de experiências pela conciência, restringir a liberdade de experimentação é limitar alguém a não-vida. Não é a toa que a evolução do ciúme seja o assassinato passional (e aqui a palavra morte e paixão combinam perfeitamente).
Portanto, o amor altruísta é algo que nossa cultura ignora e vou inferir que muitas pessoas morreram sem ter experimentado-o.
O amor maduro é aquele que liberta (se é que alguem tem tal poder) e dispõe-se e incentiva ao amado que viva, seja lá que experimentações signifiquem viver. Isso aplica-se a todos os relacionamentos, incluindo entre amigos, pais e filhos e amantes.

O que vou ser quando crescer

Astronauta, cientista maluco, médico, engenheiro eletrônico... pensamentos de criança, mas vislumbres das idéias que eu tinha sobre meu futuro.
Como é interessante que uma criança pense em sintetizar com uma profissão um questionamento tão abstrato e de retórica tão ampla. Pode-se pensar em tantas categorias válidas para tal resposta, como aspectos físicos, morais, religiosos, políticos, sociais, psicológicos, e tantos outros inumeráveis. Mas o fato é que a resposta já presume uma categoria que, no nosso modelo social, concentra a maior (e melhor) parte da vida de alguém, pois a busca por uma profissão é mais importante e definirá sua posição em todos os grupos sociais tais como família, grupos econômicos, políticos, religiosos e, ainda, direcionará a opção por valores morais de forma que se amoldem a sua profissão.
Entretanto, na minha jornada nessa existência, não me interesso mais pela minha carreira desde que passei a tentar definir a minha missão profissional. Para esse desafio me introverti e vasculhei as profundezas da minha alma em busca daquilo que fazia meu coração impulsionar o sangue pelo meu corpo.
Durante essa busca descobri coisas incríveis e muito mais importantes do que uma simples sobrevivência, do que uma mera atividade profissional prazeirosa. Descobri nuances do que quero SER. E SER é muito mais do que simplesmente ser; é a definição da minha essência, do prazer de existir, de me mover sobre essa terra. E claro, pelo tom apaixonado desse texto, pode-se prever que será impossível traduzir em palavras o que quero SER, mas vou tentar.
Não me importo mais em ser um modelo de conduta, um exemplo a ser seguido, ser politicamente correto, ser bem sucedido profissionalmente, ser respeitado por minha aparência ou comportamento.
Quero ser alguém autêntico, integral, respeitoso, carinhoso. Quero ser livre para falar e agir da forma que quiser sendo ainda livre para respeitar o que está a minha frente e deixa-lo ser livre da mesma forma que eu. Incentiva-lo a conhecer a liberdade que tem.
Puxa, como a liberdade é algo indefinível e intangível e quanto a desejo. Não me importo com os padrões que me foram estabelecidos, de como tenho que ser como profissional, como humano, como marido, homem, pai, filho, adulto, irmão, genro, amigo, amante... me importo com as pessoas que estão ao meu redor, em comunicar-me das formas mais claras para que não haja dúvidas sobre o que sou e sinto. Não me importo que isso as confunda, que isso as impeça de rotular-me ou categorizar-me. Que isso me faça parecer isso ou aquilo pois, no final, não sou isso ou aquilo, nem tampouco aquilo outro.
Algumas pessoas são modelos que tenho pra minha vida, obviamente, nenhuma delas o é por completo, mas tem características únicas que servem de modelo e esperança para quem eu quero ser. Uma delas é meu pai, como já escrevi num post anterior. Outra pessoa é alguém que não tive oportunidade de conviver o tanto quanto gostaria, mas por poucos e curtos encontros já foi o suficiente para que eu pudesse reconhece-lo como outra dessas pessoas. O nome é Carlos Alberto Pessoa Rosa. Ele é um médico (de verdade), poeta e humano. Bem se sabe que médicos não tem de mim o reconhecimento pelo seu título como é comum, mas este tem. Com cerca de 60 anos, há mais de 30 cuidando de pessoas (e não apenas de orgãos), diagnosticando saúde (e não apenas doenças), valorizando as pessoas naquilo que tem de melhor (por mais difícil que seja ver isso em alguns). Seu copo está sempre meio cheio, seu sorriso sempre disposto a cativar e suas palavras a disposição de incentivar.
Se, começando a minha idade idosa eu tiver amor pelas pessoas, se eu servi-las com minha vida, com o que sou e tenho, se de alguma forma eu puder cativar as meninas, meninos, velhinhos e velhinhas, se eu souber como a alma e a vida das pessoas acontece. Se eu puder dize-las que elas não precisam de cura pois elas já o tem. Ah! Serei um homem!

Pastor em crise de fé

Havia um pastor que estudou teologia após o colégio; tornou-se pastor em seguida e dedicou-se ao estudo das escrituras, a devoção ao cristianismo, aos trabalhos de sua igreja e tem sido reconhecido pelo seu chamado e pela sua excelência.
Sua esposa o segue e seus filhos adolescentes, como todos os outros tem suas tribulações, mas de bom coração, dedicados as obras e engajados.
Pastor, em seu intimo, sofre com uma crise de fé e não crê em nada daquilo que prega, nem na Bíblia, nem nas estória de Jesus...
Ele colocaria sua família em uma condição espiritual, financeira e social prejudicadas por não crer? Ou ele continuaria em frente?